O Observatório propõe-se a ser um espaço dinâmico e colaborativo, onde a comunidade académica, profissional e cidadã pode contribuir ativamente para a construção de conhecimento e práticas sustentáveis.

 Convidamos a comunidade a partilhar exemplos inspiradores de comunicação estratégica para a sustentabilidade, provenientes de organizações públicas, privadas e da sociedade civil; campanhas, projetos e ações que promovam a sustentabilidade através da comunicação; divulgação de teses de mestrado e doutoramento em Ciências da Comunicação com relevância para os temas do Observatório. Os contributos serão avaliados pela equipa editorial e poderão integrar o Mapa de Boas Práticas ou ser destacados em publicações futuras.

Mapa de boas práticas

Casos de estudo e campanhas

Espaço para jovens investigadores e teses

Assis, M. d. A. S. (2024). Luxo Sustentável: O Imperativo da Sustentabilidade na Comunicação do Mercado Imobiliário de Luxo Português [Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa]. RUN – Repositório da Universidade NOVA de Lisboa. http://hdl.handle.net/10362/175420 

No mercado imobiliário de luxo, a sustentabilidade tornou-se um fator chave. Em Portugal, esta tendência tem vindo a ganhar terreno, moldando a forma de atuação deste setor. Com o aumento da concorrência e necessidade de distinção, a comunicação da sustentabilidade tornou-se um imperativo para o crescimento e sucesso das marcas, e construção de relações sólidas com os stakeholders. Este relatório é o resultado de um estágio curricular de três meses na agência de comunicação integrada- Global. Para além de relatar a experiência e os conhecimentos adquiridos, pretende também investigar como é que as marcas do mercado imobiliário de luxo comunicam práticas sustentáveis. Com base numa revisão de literatura sobre o setor do luxo e na experiência obtida durante este estágio, esta investigação aborda a importância da comunicação da sustentabilidade no mercado de luxo, procurando perceber como as marcas se adaptam a esta temática. Este trabalho, concluiu que as marcas do mercado imobiliário de luxo têm investido na comunicação de práticas sustentáveis, adaptando-se ao novo panorama social, através de um planeamento estratégico, abrangendo diferentes meios e canais e garantindo a comunicação eficaz e transparente de acordo com os valores fundamentais do segmento de luxo, facilitando a relação e diálogo com os principais stakeholders. Os resultados mostram que o mercado imobiliário de luxo português compreende a importância da sustentabilidade para o desenvolvimento do setor, enquanto fator competitivo, de valorização e distinção de projetos de luxo, permitindo consolidar a sua posição, a nível de práticas sustentáveis, face aos restantes mercados.

Bassi, F. C. (2019). As ONG´s e o marketing social: uma abordagem tribal sobre o consumo fashion sustentável [Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa]. RUN – Repositório da Universidade NOVA de Lisboa. http://hdl.handle.net/10362/85862 

A revolução digital levou ao surgimento de uma nova forma de organização social, a “sociedade em redes”, marcada por comunidades virtuais unidas em torno de interesses comuns e partilhados, e não da proximidade geográfica. As redes sociais online intensificam a circulação de informação e elevam a consciência sobre temas como a sustentabilidade, gerando um consumidor mais atento aos seus hábitos de compra e consumo. Contudo, essa consciência nem sempre se traduz em ações, especialmente no setor da moda. As comunidades virtuais exibem traços tribais — forte coesão de opiniões e comportamentos — o que leva as organizações a adotar uma abordagem tribal nas suas estratégias de marketing. Este trabalho investiga a presença da abordagem tribal nas estratégias de marketing utilizadas por organizações não-governamentais que discutem a dicotomia entre a sustentabilidade e o hiperconsumismo de produtos de moda, visando modificar as atitudes e os hábitos dos consumidores, além de observar a forma como as redes sociais podem ser utilizadas neste processo. Esta investigação tem como metodologia a netnografia, aplicando estes conceitos a um estudo de caso da ONG Fashion Revolution, procurando identificar de que forma táticas tribais reforçam o sentido de pertença e incentivam práticas de consumo responsáveis. Ao explorar a interação entre identidade de grupo e influências sociais, demonstra-se que o marketing pode converter convicções sustentáveis em comportamentos efetivos. Mais do que um instrumento comercial, o marketing tribal revela-se um catalisador de transformação social, promovendo a adesão coletiva a práticas de consumo mais conscientes e contribuindo para os objetivos de sustentabilidade.

 

Brito, P. S. (2020). Comunicando a sustentabilidade: “Sou de Algodão”. Uma campanha voltada para a sustentabilidade do setor algodoeiro brasileiro [Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa]. RUN – Repositório da Universidade Nova de Lisboa.http://hdl.handle.net/10362/103148

Muitas organizações estão a alinhar as estratégias corporativas para incluir ações de responsabilidade social, ambiental e económica. A comunicação corporativa desempenha um papel importante na promoção da visibilidade, no diálogo com stakeholders e no envolvimento da sociedade em prol de práticas com impactos positivos nos negócios das organizações. Para impulsionar o tema da sustentabilidade na cadeia produtiva do algodão brasileiro, foi lançada, em 2016, uma iniciativa pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão e pelo Instituto Brasileiro do Algodão, procurando sensibilizar stakeholders para o uso de produtos originados desta fibra. A campanha “Sou de Algodão” é o objeto de estudo desta dissertação, que teve como objetivo analisar a estratégia de comunicação desta campanha, como forma de fomentar o consumo do algodão brasileiro. Além da revisão bibliográfica, recorreu-se a entrevistas semiestruturadas e à análise documental da campanha, com foco no blogue e na conta oficial do Facebook, entre 1 de julho e 30 de setembro de 2019. Concluiu-se que a estratégia da campanha teve por base o conceito do triple bottom line de Elkington, no qual a sustentabilidade divide-se em 3 eixos: pessoas, lucro e planeta. No Facebook, a sustentabilidade teve baixa expressividade. Quanto à interação, poucos conteúdos “convidavam” ao diálogo, ou seja, o foco foi na divulgação de informação, mostrando uma predominância da comunicação bidirecional assimétrica. No blogue, existe uma forte presença de materiais dos parceiros/stakeholders sobre iniciativas sustentáveis, interpretada como uma estratégia positiva de aproximação com estes grupos de interesse.

 

Duarte, F. J. A. (2021). A promoção da mobilidade sustentável em Lisboa: estudo da estratégia de assessoria mediática da Câmara Municipal de Lisboa [Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa]. RUN – Repositório da Universidade NOVA de Lisboa. http://hdl.handle.net/10362/121642

Atualmente, a sustentabilidade é um tema central no debate público da sociedade ocidental e um dos principais desafios da administração pública, sobretudo desde a assinatura, pelos membros das Nações Unidas, da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, onde se prioriza “tornar as cidades e os aglomerados humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis” (ONU, 2015). Assim, é necessário perceber não só a forma como administrações locais de cidades europeias como Lisboa estão a atuar a nível de comunicação pública, como também o tipo de relacionamento promovido com os media, agentes na promoção da mudança social. Este projeto de investigação tem como objeto de estudo a Câmara Municipal de Lisboa (CML), que nos últimos anos tem desenvolvido políticas públicas e ações de comunicação com os seus moradores. O objetivo é estudar a relação entre a CML e media online generalistas nacionais e qual a estratégia utilizada para influenciar a perceção e o comportamento das pessoas sobre a mobilidade sustentável. Ao combinar uma revisão bibliográfica com uma análise qualitativa de uma entrevista semiestruturada e uma análise quantitativa de clipping, foi possível identificar a ausência de uma estratégia de comunicação para a promoção da mobilidade sustentável na cidade de Lisboa, dificultando o trabalho de assessoria de imprensa da CML. Constatou-se ainda que a comunicação jornalística sobre sustentabilidade e mobilidade se centra, sobretudo, na política ambiental internacional e nacional e nas controvérsias envolvendo esta temática, com pouco espaço para peças editoriais que contribuam para a promoção da educação pública e de boas práticas de mobilidade.

 

Eusébio, L. E. C. (2019). Responsabilidade Social Corporativa: Sustentabilidade, Reputação e Gestão dos Stakeholders [Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa]. RUN – Repositório da Universidade NOVA de Lisboa. http://hdl.handle.net/10362/75125

O modelo de desenvolvimento em que se alicerçou o desregrado progresso económico dos últimos 200 anos, pautado por uma obsessiva maximização do lucro, evidencia-se, atualmente, insustentável, atendendo à destruição de capital social e ambiental que provocou. As organizações têm, por isso, sido submetidas a uma crescente pressão para reconfigurar as suas prioridades à luz das necessidades, expectativas e aspirações dos seus diferentes stakeholders. A noção de “Responsabilidade Social Corporativa” (CSR) emerge da premente necessidade de integrar preocupações de cariz social e ambiental na agenda das organizações, em nome de uma forma mais aberta, humana e transparente de fazer negócios. Desde a década de 1950, vários autores debruçaram-se sobre este conceito, que ao longo do tempo deixou de ser conotado com ideias de filantropia e caridade para passar a ser integrado no âmago do planeamento estratégico das organizações. A CSR não responde, somente, a um imperativo de natureza ética ou moral, mas também a um imperativo económico. Um posicionamento baseado numa postura responsiva em relação às necessidades e reivindicações dos stakeholders e da sociedade destaca uma capacidade ímpar para incrementar o capital reputacional da empresa – os públicos sentirão uma maior propensão para se identificarem com organizações em que reconheçam traços de caráter confiáveis e prestigiados. Deste modo, num contexto marcado pelo constante escrutínio, fomentado pelas ferramentas da Web 2.0, o cumprimento dos deveres de cidadania corporativa emerge como condição basilar para o sucesso das empresas a longo prazo.

 

Fernandes, A. C. B. C. (2020). Responsabilidade Social Corporativa e Brand Equity [Tese de Doutoramento, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa]. RUN – Repositório da Universidade NOVA de Lisboa. http://hdl.handle.net/10362/107817

Esta investigação teve como objetivo analisar o impacto da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) no Brand Equity (BE), oferecendo um enquadramento sobre ambos os temas mediante a perspetiva dos consumidores em Portugal. Após uma extensa revisão de literatura, foram sublinhadas a latente importância da RSC no contexto socioeconómico cultural e a pertinência do BE como uma ferramenta relevante ao nível do marketing. De forma a responder à problemática colocada, foi levada a cabo uma análise quantitativa, tendo como base inquéritos sobre três marcas distintas. Através destes questionários foram recolhidos os inputs de 1.725 pessoas, caracterizando assim uma amostra que abrangeu respondentes das mais variadas faixas etárias e localidades do país, consumidores e/ou público em geral, explicitando uma realidade ajustada ao contexto português. Os resultados apontaram, nos três casos, para um impacto positivo da RSC no BE, validando assim a hipótese apresentada. Ficou evidenciado que o impacto da RSC no BE é sustentado pelas variáveis de RSC Governance e Gestão, Visão e Estratégia e Social, que contemplam temas como o envolvimento de stakeholders, a prestação de contas e transparência, o desenvolvimento de políticas públicas que promovam benefícios sociais, questões laborais, etc. Em contrapartida, a dimensão Ambiental da RSC não mostrou qualquer tipo de impacto nas variáveis do BE, concluindo-se assim que os inquiridos apresentaram uma perceção fraca sobre os temas ambientais, como são exemplo a emissão de gases poluentes, as mudanças climáticas, a prevenção à poluição e a boa gestão de recursos ambientais, entre outros.

Patrício, I. V. B. (2018). E se o Pacman fosse vegano? Newsgames, veganismo e impacto ambiental [Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa]. RUN-Repositório da Universidade NOVA de Lisboa. http://hdl.handle.net/10362/46319

Somemos um mais um. Os newsgames são um tipo particular de trabalho multimédia, cuja narrativa é baseada não em acontecimentos específicos, mas na simulação de um sistema interativo. Numa tradução literal, são videojogos jornalísticos. Por outro lado, a produção e consumo de carne é responsável por um quinto das emissões globais de gases com efeito de estufa e constitui um dos fatores de sobre-exploração dos solos. O resultado dessa adição é o Green Pacman, um newsgame sobre o impacto ambiental da produção de proteína animal, a nível de emissão de gases poluentes e utilização dos solos, baseado na reinvenção de um dos jogos mais marcantes da história. Três níveis gamificados e uma reportagem formam o produto final deste projeto.

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